Na última segunda-feira 7, tive o prazer de mediar um bate-papo com o escritor e velho amigo das letras Sidney Nicéas e com a enfermeira e empresária Odi Veiga, autor e personagem, respectivamente, do livro “Entre Cobras, Leões e Timbus — narrativas de uma mulher, como uma Fênix, à frente das ambulâncias nos estádios de futebol” (Mangue Editora; 270 p.; R$ 80). O evento aconteceu durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o maior e mais importante evento do mercado editorial do Brasil.
“Entre Cobras” reúne mais de 50 crônicas sobre jogos de futebol pela ótica dos atendimentos de saúde feitos por Odi e sua equipe, na Odi Eventos, há quase 30 anos, à frente das ambulâncias nos estádios de Pernambuco — de onde são Sidney e Odi — em competições estaduais, regionais, nacionais, internacionais e até em partidas da Seleção Brasileira.
O livro também traça um panorama sobre o ecossistema que, em alguma medida, espelha a realidade do país — e acompanha as mudanças ocorridas nos protocolos de atendimento, as transformações em leis que afetam as partidas e questões comportamentais na sociedade brasileira. “São temas como a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios — que, paradoxalmente, agravou a situação dos atendimentos —, ou o protocolo de concussão, que tem ajudado a preservar a saúde dos atletas, ou, ainda, o comportamento mais agressivo dos torcedores após a pandemia. A obra traz panoramas interessantes para compreender melhor a atuação desses profissionais e as transformações sociais destes nossos tempos”, explica Sidney Nicéas.
Durante o papo, realizado no estande da Arena Fala, Garota, covnersamos sobre a concepção e organização do livro, as histórias mais inusitadas, as situações mais dramáticas vividas por Odi Veiga e aquilo que chamei de “lado C” do futebol: os bastidores do socorro e da emergência nos estádios e arenas, longe dos holofotes da imprensa e dos patrocinadores e da lembrança da torcida — exceto, claro, quando a prestação do serviço se faz urgente.
Conforme comentei com ambos, ao expor reais situações de risco à vida em partidas de futebol que se tornaram mais lembradas pelos acontecimentos extracampo do que pelo placar final, “Entre Cobras, Leões e Timbus” valoriza o cuidado com o outro e a pressão em cenários extremos. Acima de tudo, celebra o imenso protagonismo feminino de Odi e sua equipe, que lideram em Pernambuco a missão de salvar vidas com coragem e maestria em um meio que, se mais aberto a mulheres neste século, ainda é marcado pelo machismo e pela misoginia.
Agradeço a Sidney e Odi pelo convite para conduzir a conversa na Bienal e poder apresentar ao público de São Paulo esta obra tão inusitada e relevante não apenas para quem vive ou trabalha com futebol, mas também nas áreas de Saúde e que se preocupa com a igualdade de gênero.
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